3 de fev de 2010

Nota da UEE SP em solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

No dia 26 de janeiro,nas cidades de Borebi e Iaras , no interior de São Paulo, deu-se início a mais um capítulo da perseguição e criminalização aos movimentos sociais, desta vez envolvendo o MST e a prisão de nove de seus militantes. A União Estadual dos Estudantes de São Paulo(UEE/SP) vem a público externar sua opinião e solidarizar-se com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

1. A luta pela democratização da propriedade da terra, é fundamental para a redução das desigualdades sociais. Infelizmente, o Brasil ainda é um dos países com maior concentração fundiária no mundo. A luta pela superação da cultura neoliberal no campo é importante no contexto das luta de classes, que busca desenvolver uma dinâmica democrática e de busca de direitos dos setores historicamente oprimidos na sociedade;

2. Os algozes do povo e da Reforma Agrária, a todo momento, buscam criminalizar o MST e os movimentos sociais que lutam para acabar com distorções históricas na sociedade brasileira, para que assim se impeça a Reforma Agrária, salvaguardando os interesses escusos do agronegócio;

3. Há em curso no Brasil uma clara articulação em torno dos interesses do agronegócio. Essa articulação envolve a grande mídia corporativa, setores retrógrados do Judiciário e a bancada ruralista no Congresso Nacional e visa barrar ações governamentais que favoreça a democratização do acesso a terra no país;

4. A área ocupada pelo MST em setembro de 2009 localizada nos municípios de Iaras, Borebi, Agudos, Águas de Santa Bárbara e Lençóis Paulistas no centro oeste do Estado de São Paulo, conforme nota divulgada pelo INCRA à imprensa em 06 de outubro de 2009, “é objeto de ação reivindicatória proposta pela autarquia em agosto de 2006, por pertencer a um conjunto de terras públicas da União que constituíam o antigo Núcleo Colonial Monção”. Portanto, a Cutrale, empresa monopolista no comércio de suco, utiliza essa área de forma irregular, já que esta pertence à União.

5. Entendemos a ocupação de terra como um instrumento legitimo, pois visa pressionar o poder público para que estes agilizem o processo de desapropriação de terras, possibilitando maior velocidade na implementação da necessária Reforma Agrária;

6. Diante da contra-ofensiva dos setores retrógrados da sociedade brasileira se faz urgente a implantação dos mecanismos de mediação previstos no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).



A par de todos esses fatos, nós da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, declaramos nossa irrestrita solidariedade aos nove companheiros do MST presos na ação da Policia Civil do Estado de São Paulo, bem como estendemos nosso apoio a todos e todas que buscam justiça social no campo brasileiro.



Pela imediata libertação dos 9 companheiros do MST detidos!



Total Solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra!





União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE/SP)