9 de mar de 2010

Desafio político de SP ao CONEG da UNE

UEEs de todo o país foram convocadas, nesse último final de semana, a construir o processo do 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais da União Nacional dos Estudantes, que ocorrerá entre os dias 22 e 25 de abril de 2010, na cidade do Rio de Janeiro.

O estado de SP será protagonista dessa ação, uma vez que se localiza aqui a maior parte das universidades, dentre as quais, as mais importantes do país. No entanto, não é somente a grandeza do nosso estado que nos faz agente principal da campanha do CONEG. Aqui vivenciamos os maiores mandos e desmandos dos tubarões de ensino.

Os estudantes paulistas convivem diariamente com o boom das universidades particulares iniciado na década de 1990. Essa explosão do setor privatista na educação reflete o caráter do ensino superior em SP como sendo visto prioritariamente como mercadoria. Dentre as ações da UEE-SP no combate às irregularidades advindas desta característica está a Ouvidoria do Estudante, uma via direta do estudante com o PROCON e o Ministério Público.

Dentro das universidades públicas estaduais a situação é parecida ou pior, já que há 16 anos a política do governo é, a cada dia mais, sucatear as estruturas, desvalorizar os profissionais da educação, desrespeitar o direito dos estudantes à educação gratuita e de qualidade, assim como o direito à assistência estudantil.

Analisando essas particularidades, o 58º CONEG da UNE vem cumprir um papel de extrema importância para o fortalecimento do movimento estudantil universitário no estado. Incentivar a participação política dos universitários e universitárias paulistas está mais do que na ordem do dia. Despertar o interesse contra as irregularidades do setor privado e exigir melhorias nas universidades públicas estaduais reforçará a postura combativa que sempre nos propusemos a representar.

Mas não só isso é o que representa esse CONEG de 2010. O que está posto para os estudantes brasileiros, neste momento histórico, é mais do que simplesmente despertar a consciência coletiva. O centro do debate político deste ano é a disputa eleitoral que vem se caracterizando plebiscitária e tende a polarizar a opinião da sociedade. Definir e esclarecer qual dos dois projetos hoje propostos para o Brasil, e o que governará nossas vidas, é tarefa principal do movimento estudantil.

Neste contexto está inserido o movimento estudantil também em SP. Vamos então fazer uma breve análise do estudante universitário paulista. Sua grande maioria é da classe média, trabalha o dia todo e estuda em universidade particular. Esta faixa da população é a mais atingida pela propaganda da mídia, blindada pelo governo do estado, em garantir que tudo aqui é muito eficiente e perfeito. Porém, basta olhar para o lado que o estudante perceberá que não é bem assim.

Não só a estrutura das cidades paulistas, como o sistema de transporte (rodovias privatizadas e pedágios caros em todo canto), assim como também nosso sistema de saúde, conseguem proporcionar ao estudante e à população paulista um retrato bem claro da nossa realidade.

Neste momento pré-eleitoral, em que o governador de SP se colocará novamente como candidato à presidência do nosso país, é esse o projeto que devemos escancarar a todos. Sucateamento, descaso, ineficiência e falta de compromisso com a população é o que representa a candidatura de José Serra.

Todos os estudantes brasileiros devem invadir as universidades para apresentar outra proposta de Brasil. Uma que leve em conta as necessidades do nosso povo e compreenda a educação superior brasileira como direito e bem público. E, principalmente os estudantes paulistas, que entendem a política devastadora da direita localizada em SP deverão invadir as salas de aula para construir muitos DCEs e, consequentemente, um grande CONEG!

Todos rumo ao 58º CONEG da UNE!

Marina Cruz
Diretora da UEE-SP

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